"E cedo, porque me embala Num vaivém de solidão..."

23
Set 11

 

Vociferava mas em tom pouco agressivo,

Afinal era anjo e devia ser passivo.

Mas a sua fraqueza era ser alterado.

Não tinha a pachorra que ser anjo requer,

Daí que um dia Lúcifer

Fosse expulso para outro lado.

 

Antes de partir ainda acenou

Mas dos seus “irmãos” nem um só o olhou.

Lá ia sem saber se estava triste ou contente.

Apenas esquizofrénico como era,

Não sabia porque para ali viera,

E agora sentia que podia finalmente ser diferente.

 

A sua realidade não era aquela,

Mas seria a que o esperava mais bela?

Caminhou a medo

E durante o caminho nunca olhou para trás.

Pensava “Seja para onde for que vás,

Isso ainda é um segredo”.

 

No final da travessia viu algo a brilhar,

Eram doces fogueiras a crepitar.

Sentiu um odor qualquer no ar,

E uma certeza no coração:

Perdera de anjo a condição,

Mas ali sim era o seu lugar.

 

(Lígia)


publicado por Lígia Laginha às 06:57
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22
Set 11

 

 

Todos os que tinham a Alma ausente

Estavam fechados num hospício distante

Situado entre o díspar e o semelhante

Num lugar nem muito frio nem muito quente.

 

E tinham um ar de tal modo diferente

Que alguns diziam com atitude confiante

Serem de origem galáctica e mutante

E não verdadeiramente gente.

 

Pobres de Alma destituídos

Vagueavam como andróides perdidos

Sem inicio, nem fim.

 

Alguns contemplavam o infinito,

Iam soltando um pequeno grito

E sorriam de vez em quando para mim.

 

(Lígia, 1 de Maio 2009)

 

publicado por Lígia Laginha às 09:43
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18
Set 11

 

No derradeiro minuto tirava do rosto

Toda a tinta que lhe havia posto

Para garantir a alegria.

Despia as roupas garridas

Que tinham de ser vestidas

Apesar da sua agonia.

 

Sabia que era palhaço

Tendo por isso de usar laço,

Grandes sapatos e um nariz encarnado.

Mas como lhe era difícil sorrir

Quando afinal tudo o que conseguia sentir

Era aquela Angústia que o trazia amargurado.

 

Quando se encontrava muito sozinho

Pintava na face um triste sorrisinho

E algumas lágrimas prateadas.

Era então que chorava

E com arte misturava

Soluços e gargalhadas.

 

(Lígia, 2 de Março de 2009)

 

publicado por Lígia Laginha às 08:49
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09
Set 11

                                           

 

                                               A Mário de Sá-Carneiro

 

Quando eu morrer soltem gargalhadas

E batam palmas sem parar.

Que se façam os sinos tocar

Mas em desconexas badaladas.

 

Que se contem anedotas apimentadas

E se faça chacota do meu ar.

Sobre o caixão ponham licor para eu tomar

E algumas mortalhas para serem fumadas.

 

Quando eu morrer digam nomes ordinários

E façam os outros de otários

Rebolando no chão sempre a rir.

 

Quando eu morrer rebentem balões

Dêem pinotes e trambolhões

E fiquem com nódoas negras de tanto cair.

 

(Lígia, 24 de Abril 2009)


 

publicado por Lígia Laginha às 14:00
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08
Set 11

 

Numa senzala imunda

Carpem os escravos da vida

Entregues à droga e à bebida

Para enganar a Dor profunda.

 

Munidos de uma vontade corcunda

Tentam fugir desta sina bandida

Mas cada dia é uma batalha perdida

Para o vício que os aprisiona e afunda.

 

Os seus corpos carregam uma Alma doente

E andam no Mundo fingindo ser gente

Mas não passam de farrapos sem postura.

 

No passado todos deixaram aquela história

Pejada de lágrimas e sem glória

Que os conduziu à escravatura.

 

(Lígia, 16 de Julho de 2009)


publicado por Lígia Laginha às 14:14
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A existência é um lugar

Que sobejamente se visita

E apesar da sorte ou desdita

Acabamos sempre por lá voltar.

 

Nela podemos aprender a amar

Mas o ódio também ninguém evita

E entre a paz calma e o que nos irrita

Vai um passo que se dá sem andar.

 

Saber existir é uma meta humana

Mas a superfície nunca é plana

E muitos acabam por cair.

 

Estes limitam-se depois a sobreviver

E como eles acabamos por não entender

Qual a melhor forma de encarar o devir.

 

(Lígia, 19 de Julho de 2010)

 

publicado por Lígia Laginha às 07:12
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07
Set 11

 

Do que nos serve a ironia

De usar a máscara da felicidade

Se é uma Angústia doentia

O que sentimos na verdade.

 

 (Lígia, 19 de Janeiro 2009)


publicado por Lígia Laginha às 08:16
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06
Set 11

 

No país onde não há Felicidade

Habita também o meu coração,

Cerrado na profunda escuridão

Pois aflige-o a claridade.

 

Um dia tomou a liberdade

De se oferecer à paixão

Mas foi tão grande a desilusão

Que o votou a esta triste realidade.

 

Desta moradia de sombras e medo

Fez o seu doce degredo

E vai carpindo a Dor do abandono.

 

Por vezes, ainda se entrega a Morfeu

E idealiza um beijo teu

Nos alvores do funéreo sono.

 

(Lígia, 31 de Agosto 2009)

publicado por Lígia Laginha às 12:03
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